Depoimentos
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Além de usar os símbolos da campanha, você pode ajudar dando o seu depoimento. Aqui você pode falar sem medo sobre sua experiência – seja ela própria ou não – com a violência doméstica contra a mulher. Sua atitude será reconhecida e você poderá ajudar milhares de mulheres nesta causa de solidariedade.
Depoimento de Maria da Penha Maia Fernandes, que dá nome à Lei Federal 11.340/2006 na II Conferência de Políticas para as Mulheres do Tocantins
"Senti muita emoção. Porque antes da lei me sentia órfã da justiça. A minha colaboração se deu pela persistência. A Violência está relacionada à força física e à cultura, que faz com o que homem sinta-se superior à mulher. Essa vitória é de todos os movimentos sociais. Iniciei uma luta solitária, em 1983, que fui vítima de agressão, nessa época não tinha delegacia especializada da mulher, que só foi ser criada em 1985. Hoje, me sinto vitoriosa por ser mulher e por ter colaborado com essas mudanças que estão acontecendo. Hoje o comportamento de homens e mulheres precisam de outros valores. Viver sem violência é mais do que viver sem nenhum tipo de agressão. É viver com respeito e consideração. É não acreditar na superioridade masculina."
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Dani - 26 - Niterói/RJ
3 comentários
Depoimento enviado em 13/06/2010
Há 4 meses atrás fui violentada pelo meu marido e pai do meu filho de 2 anos e 10 meses. Até então as agressões eram sempre psicológicas, verbais e morais. Isso começou logo que engravidei e piorou quando oficializamos o nosso casamento. Sargento militar do exército efetivo, sempre utilizou do seguinte argumento: "Posso tudo, nada pega para mim". Nossa relação piorou quando passamos a morar debaixo do mesmo teto. Ficamos alguns meses separados após o casamento e resolvemos dar uma chance para nossa relação, até porque temos um filho pequeno e eu acreditava que tudo poderia mudar. A separação havia sido justamente devido as contantes agressões verbais, nunca foi muito maleável e sempre achou que tinha o poder nas mãos... Voltamos e por um momento achei que tudo estava melhor, mais carinhoso, mais presente, mais doce, mais responsável, mais amigo, mais companheiro... tinha dias que me tratava como rainha, eu não podia me queixar... quando voltava do quartel (de 15 em 15 dias ou a cada 1 vez por mês) voltava trasnformado, como um bicho enfurecido, sem saber ouvir, sem saber compartilhar... sem saber entender os que estavam a sua volta! Tinha dias que sumia e se tentava procurá-lo ou cobrar alguma coisa era motivo de grandes brigas e cobranças por coisas que haviam ficado lá no passado... A última briga que tivemos foi fatal. É impossível hoje ter uma convivência mínima, nem pelo nosso filho. Lembro como se fosse hoje. Cheguei em casa depois de um dia longo de trabalho duro (trabalho com eventos gerenciando contas), chego em casa e ele estava em frente a televisão jogando video game. Eu havia chegado em casa com nosso filho que estava no colégio e fiz um pequeno comentário do tipo: lembrou o caminho de casa? (isso porque ele tirou férias de 10 dias do trabalho para ficar comigo que estava passando por problemas de saúde e correu pra casa dos pais sem me avisar para onde ia, simplesmente sumiu e eu preocupada liguei para a mãe dele que confirmou que estaria com ela...) e pensar que o motivo desse sumiço era porque havia decidido matricular o nosso menino no colégio, contra a vontade dele. Foi tempo apenas de nos olharmos nada satisfeitos e colocar o menino para dormir. Fiquei muda e permaneci por horas deixando ele falar tudo o que queria de mim. Me ofendeu de todas as formas possíveis e imagináveis... inclusive me fazendo acreditar que eu não era capaz de nada e que estava ali naquela casa com ele porque vivia de favor e que vivo a sobra do nosso filho. Sempre lutei, estudei, me formei, trabalho, tenho uma profissão, tenho pais maravilhosos, um filho espetacular... mas senti tanta raiva dele naquele momento que não me aguentei e chorei trancada no banheiro, eu não acreditava que estava ouvindo aqueles absurdos de uma pessoa que sempre acreditei e amei. Saí do banheiro com muita raiva e disposta a nunca mais ter que passar por isso, pois não merecia. Falei que ele não valia nada e que eu havia perdido meu tempo acreditando que um dia poderia dar certo. Ele quebrou o espelho do banheiro, filmou dizendo que havia sido eu... tentei pegar o celular dele que filmava tudo para que pudesse me filmar (se era assim, que fizesse direito, pra mostrar meu rosto arrasado) ele me pegou a força (minhas pernas bateram na porta do banheiro) e ele me jogou longe no meio da sala... minhas costas bateram com toda a força no chão. Ele subiu em cima de mim e disse: "Você não vai falar mais nada, pq eu vou te matar". As mãos pesadas apertando o meu pescoço e eu só me lembro da enorme falta de ar que tive... meus ouvidos apitando e tudo girando... e um grito sem muito som... mesmo assim eu conseguia pensar no meu filho que estava no quarto dormindo e o qnto meu amor pelo meu menino era enorme... não sei como ele me soltou, pq eu não ia aguentar. Imediatamente liguei para minha mãe, (enquanto isso ele dava gargalhadas como se nada tivesse acontecido e ficou sentado no chão da sala jogando video game com jogo violento, com muito sangue e armas). Minha mãe chegou com minha irmã para me buscar e saí de lá com meu filho dormindo praticamente com a roupa do corpo. Nem sei como consegui dormi naquela noite... No dia seguinte fomos na delegacia e registreium BO, fiz exame de corpo de delito e fui trabalhar como se nada tivesse acontecido... Posso dizer que fiz a coisa certa, me afastei, hoje ele não pode se aproximar de mim a pedido do juiz (medida protetiva de urgência).
Sei que sou forte e tenho uma vida brilhante pela frente... as maiores feridas ficaram no coração, mas acredito que um dia vou superar. Hoje busco ter uma vida financeira mais estável e sustento sozinha o meu filho... voltei para a casa da minha mãe que me fornece todo o apaoio que precisamos nesse momento. Muitos amigos que estavam afastados se aproximaram e hoje vejo quanta coisa bonita estava perdendo, principalmente a minha auto estima, o meu otimismo, a minha força de vontade... e consegui resgatar tudo isso quando tive coragem de denuncar.
Acredito em mim e sei que sou capaz e vou vencer! Deus está comigo... é nele que confio.
Comentários
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Janaina
15/06/2010
Dani, vc é uma mulher de atitude. Parabéns...
luciana
21/06/2010
Dani...parabens!!! e muita coisa boa em sua vida...é isso...voce tem valor e vai vencer...Que Deus te abençoe muito e teu filhote tb....
Mara
22/06/2010
Dani, tive uma experiencia muito parecida com a sua, vc pode até ler o meu depoimento, sei que é muito dificil mas é possivel, eu ainda sofro qdo paro e penso em tudo oq ja passei mas sei q vou melhorar e ser muito feliz ainda, assim como vc será. Te desejo toda força do mundo que Deus esteja sempre ao nosso lado.