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Depoimento de Maria da Penha Maia Fernandes, que dá nome à Lei Federal 11.340/2006 na II Conferência de Políticas para as Mulheres do Tocantins

"Senti muita emoção. Porque antes da lei me sentia órfã da justiça. A minha colaboração se deu pela persistência. A Violência está relacionada à força física e à cultura, que faz com o que homem sinta-se superior à mulher. Essa vitória é de todos os movimentos sociais. Iniciei uma luta solitária, em 1983, que fui vítima de agressão, nessa época não tinha delegacia especializada da mulher, que só foi ser criada em 1985. Hoje, me sinto vitoriosa por ser mulher e por ter colaborado com essas mudanças que estão acontecendo. Hoje o comportamento de homens e mulheres precisam de outros valores. Viver sem violência é mais do que viver sem nenhum tipo de agressão. É viver com respeito e consideração. É não acreditar na superioridade masculina."

  • Caroline R. Reis - 27 - maceió/AL

    1 comentários

    Depoimento enviado em 17/06/2010

    Eu já hávia escrito um depoimento aqui relatando minha terrivel experiencia com meu pai violento. Porém as coisas não acabaram. Meu pai deixou uma sementinha em meu irmão e essa sementinha foi regada e cuidada com muitas regalias, mimo, e tolerância. Ele se tornou um homem demente (não tenho outro adjetivo). Meus pais foram muito coniventes com ele, sempre lhe derem tudo, mas esqueceram de dar educação e de ensinar o respeito ao próximo. Há duas semanas eu estava vendo tv na sala com meu noivo às 2 da madrugada. Minha mãe estava dormindo e eu estava me recuperando de uma cirurgia de enxerto ósseo no maxilar superior que havia sido realizada na tarde desse mesmo dia (cirurgia essa decorrente do ato de violencia do meu pai para comigo alguns anos antes...quebrpu a raiz do meu dente frontal superior, denominado 11, e houve uma fratura na raiz do dente e na base do alveolo dentário, daí o corpo estava absorvendo os fragmentos do osso quebrado - doloroso, mas nada se compara a dor da revolta de um pai, marido, namorado ou irmão espancador)... Daí escutei gritos desesperados do meu irmão vindos do quarto dele, corri (com um saco de gelo na boca) juntamente com meu noivo e batemos na porta dele - que estava trancada - desesperadamente. Ouvi uns ons abafados, uns gemidos, sussurros e mais gritos (em segundos, super rápido), meu noivo já estava quase derrubando a porta do quarto do meu irmão... que estava lá dentro com a namorada dele. Quando a porta se abre me deparo com uma cena curiosa. Meu irmão, que se chama Guto todo suado e ofegante (meu irmão tem 1,89 de altura e 105 quilos) e sua namorada, que se chama Cleide - 1,58 e 59 quilos (estão juntos há 3 anos) em estado similar porém trêmula. Eles haviam acabado de se agredir. Ele disse (aos berros) que ela começou a interrogá-lo sobre os sentimentos dele por ela... questionando-o o porque da falta de beijos apaixonados e coisas do gênero... daí começou a acusá-lo de ter amantes e da falta de intesse sexual dele por ela... Quando ele não respondeu a tais questões ela partiu pra cima dele feito uma louca desvairada...ele se defendeu (o que eu não concordei até porque ele é homem, alto, mais forte e bem maior que ela) e deu um empurrão e um chacoalhão nela, pegando ela pelos braços. Os xingamentos eram terriveis (passou um filme na minha cabeça...meu pai me batendo e falando aquelas coisas horriveis). Eu a defendi, mesmo sabendo que ela agridiu o meu irmão, mas naquele momento ela era o elo mais fraco da corrente, meu irmão estava com ódio dela, eu pensei que fosse matá-la. Conversei com ela e ela confessou as agressões...No mesmo dia, mais tarde meu irmâo disse que essa não tinha sido a primeira vez, disse que ela já tentou enforcá-lo, já chutou os testículos dele o fazendo se curvar de dor e já puxou a direção do carro e removeu a chave da ignição diverses vezes com o carro em movimento, fazendo o carro morrer no meio da Avenida Fernandes Lima (a principal avenida da nossa cidade Maceió - AL)... Ele ainda a chamava de nomes terriveis (de madrugada, nós moramos em um prédio de 60 apartamentos, eu morri de vergonha) e ela só chorava. Daí eu disse: "Cleide, eu sei o que você tá passando, sei que é traumatico, mas não concordo que você agridao meu irmão, nem concordo que ele revide. Agressão é a porta de entrada para os mais terríveis desfechos". Ela só chorava e dizia que a culpa era dela... Daí eu disse: "Tome esse dinheiro, pegue um taxi e vá pra casa, descanse, tene dormir e amanhã vc toma a providencia que achar necessaria".
    Gente! Vocês acreditam que ela queria ficar aqui em casa?! Eu fiquei chocada quando ela disse: "Nâo, eu trabalho amanhã cedo, vou dormir aqui mesmo" como se ser agredida e ter uma briga horriveldaquelas fosse a coisa mais natural do mundo!!!
    Bem...1 hora depois ela resolveu ir embora, mas só porque meu irmão se trancou no quarto e foi dormir com a minha mãe. Eles terminaram e uma semana depois estavam juntos outra vez. Eu sei que é errado, que existe muita pressão psicológica nessas mulheres que são casadas e têm filhos... elas pensam nos filhos, com medo de que eles sintam falta do pai (o que não é desculpa para continuar sendo espancada)... Mas o que pensa uma mulher como ela (a Cleide, namorada do meu irmão)? Ela não é casada com ele, não tem filhos, não depende dele financeiramente, nunca construiram nada juntos (e mesmo que fossem casados ou sócios isso tabém não seria desculpa)... o que pensa uma pessoa dessa? Eu estou com tanta raiva dos dois por isso, que tenho que contar até 30 quando encontro com meu irmão no café da manhã. Meu irmão não tinha o direito de agredi-la mas nem ela tinha o direito de agredir o meu irmão. Como proceder em uma situação dessas? A namorada dele nem aparece aqui em casa - tá com vergonha - mas deveria ter mais vergonha de dar continuidade a esse relacionamento sádico e masoquista. Eu dou graças por isso, pois eu creio que se eu encontrá-la por aqui eu irei perguntar se ela tem titica de galinha na cabeça. Ela sabe que meu irmão é violento, ele já deu inúmeras provas disso, ela também não é flor que se cheire, pois ele ja chegou aqui em casa todo rasgado de unha. Já tentamos intervenção...diálogo até chantagem emocional para que eles se controlem ou então terminem de vez, mas nada funciona... Meu irmão acaba de chegar em casa dizendo que teve mais uma briga com ela... Como já passei por uma agressão eu fico apreensiva, eu saberia como lidar se fosse comigo, mas convecê-los que o namoro deles é um ring de vale tudo sem um pingo de respeito e dignidade é muito complicado pra mim. Se alguém tiver uma dica, ou uma luz pra me dar saiba que ficarei super grata. Pois não tem quem aguente isso.

Comentários

  • Veronica

    12/07/2010

    Caroline, ela poderia ligar para o 180, é um começo. Força

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